quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Como as manifestações do Globo de Ouro 2018 refletem sobre uma sociedade machista

Los Angeles foi o local da premiação do Globo de Ouro 2018 e o tapete vermelho nunca esteve tão monocromático. Muitas atrizes chamaram a atenção por vestirem preto para se manifestar contra o assédio sexual em Hollywood. Muitos casos foram denunciados nos últimos dias e, apesar de muitos estarem tentando abafar o caso, o problema do machismo na indústria cinematográfica persiste. 

Os rapazes, em solidariedade a causa das mulheres, vestiram cores escuras e foram cuidadosos em seus discursos. Sobre as falas refletiram no palco o que estava impregnado de algo que não se falou: culpa. Sim, mesmo que não tenham estuprado, agredido ou assediado alguma mulher, a convivência nos bastidores torna público esses casos e até o momento muitos se omitiram.

Quando as cortinas se abriram e a verdade dos relatos não era tão bonita quanto nas telonas, muitos atores e diretores recuaram, muitas atrizes, produtoras e maquiadoras tomaram coragem de revelar aquilo que as incomodava em seu trabalho. Pois, apesar de parecer um mercado glamouroso, se trata disso : Trabalho. Todos correndo atrás da sua estrela mais brilhantes, realçando seus talentos e fingindo que não existem defeitos e problemas no mundo das produções mais perfeitas do cinema.
Foram inúmeras mulheres fortes a se levantar : Natalie Portman, Oprah Winfrey e Meryl Streep.
Foram muitos homens fracos a se acovardar: Harvey Weinstein, Kevin Spacey e Jhonny Deep. 


E como essas manifestações refletem em nossa sociedade ? 
Nem as mulheres ricas e famosas estão ilesas do machismo, nem os homens mais bem sucedidos e inteligentes estão impunes, quando são misóginos.Já que em um mundo cheio de estrelas somos nós a contemplar o céu. Já que a arte imita a vida e a vida imita a arte, porque não considerar que esses casos são reais, não são meros contos de fadas e na pior das situações, causam mortes

É justo pensar que na sociedade em que vivemos, além dos muros de Hollywood e até mesmo os muros de Los Angeles, NY e os EUA de um modo geral, existem países subdesenvolvidos e em desenvolvimento que tem governantes que nem se quer cogitam mudar essa realidade.

Não é normal tratar da sexualização do corpo das mulheres com a frase : Isso é Brasil.
Não é normal dizer " não lhe estupro porque você não merece ", então se considera-se que mereço, ou qualquer outra mulher merece, seria direito seu estuprar ?
Não é normal impedir que mulheres tenham direito sobre o próprio ventre e dizer que são pró-vida quando na verdade são apenas pró-nascimento. 
Não é justo culpar a mãe por criar uma criança sozinha, já que mulher direita não engravida antes do casamento. 
Não é correto julgar a opção sexual de alguém como sendo " Falta de Homem ".

Façam o favor de repensar Hollywood, repensar o Brasil e repensar dentro de suas casa como as atitudes de alguém em favor de uma cultura do estupro se torna prejudicial, retrógrada e assassina.

Os números não mentem, os cargos para mulheres são reduzidos e mal pagos, tanto em Hollywood como para nós, meros terráqueos
  



XOXO, Thamara M. 

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Entrevista: Professora de Teatro

Carolina Ferreira, tem 32 anos, mora em Seropédica e atua no Centro Cultural da cidade como professora de teatro. Em entrevista exclusiva, ela conta sobre sua tragetória com a profissão e os desafios de lecionar artes cênicas. Aperte o play e confira o depoimento de Carolina na integra.


 Após nossa entrevista, ainda tomamos um capuccino e aproveitamos o ambiente agradavél da cafeteria ' Caffé' no centro da cidade. Carolina conta que as oficinas de teatro vão ser ministradas no CIEP do km49. A animação da professora é super contagiante e eu estou pensando em participar de suas aulas.

Sugestão: KBELA


“O negro é o único indivíduo no Brasil que precisa se assumir enquanto sua própria raça/etnia.”





Assistam: KBELA ! O curta-metragem da cineasta brasileira Yasmin Thayná, 24 anos. A partir de contos de MC KBELA, nasceu a ideia de narrar a história na frente das cameras. Foram convocadas meninas negras em uma chamada pública no Rio de Janeiro para participar do documentário que veio para revolucionar o cinema. O tema do filme é o embranquecimento para conquistar padrões de beleza. Após passar por tratamentos químicos no cabelo para se sentir bonita, uma jovem da baixada Fluminense, decide se reinventar e aceitar suas origens africanas. No início do ano de 2013, eu, Debora Dantas, Erica Magni, Luana Dias, Saulo Martins, Felipe Drehmer e Bruno F. Duarte decidimos fazer o filme. As cenas também contam com a participação de uma mulher trans, que é retratada em suas dificuldades em conseguir a própria identidade. Vale a pena conhecer a história do curta, que já participa de festivais internacionais e leva um pouco da ideia de cultura afro sendo oprimida na sociedade.









quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Resenha crítica: Filme Ninfomaníaca

    O tema escolhido surgiu com a análise dos filmes vol.1 e vol.2, do autor dinamarquês  Lars von Trier que concorreu ao Oscar 2014.
Ao escolher esse tipo de produção, é preciso estar preparado para se desfazer de tabus e moralismos sociais pré-estabelecidos. O filme conta a trajetória sexual de uma jovem chamada Joe e sua constante procura por sentir algo, seja essa busca através de um orgasmo ou relações interpessoais. Com cenas explicitas de sexo real e nudez frontal chocantes para o publico, o filme trás a ideia de quebra de estereótipos para melhor compreensão do ser. A partir do desenrolar do filme e das inúmeras frases irônicas típicas do autor, levantam-se questões sobre a sanidade da personagem, assim como detrimento religioso e concepção de um ser que, segundo a história, não se encaixa socialmente. Se tratando de uma mulher e o numero de relações propostas pelo filme, o preconceito e a limitação moral são temas confrontados nesse tipo de filme. 


   A história é separada em dois volumes o que deixa o enredo do primeiro filme um pouco mais monótono do que o segundo, as cenas de sexo que antes seriam o principal motivo de interesse do telespectador são deixadas de lado quando a crise existencial da personagem começa a emergir, levando a questionamentos e analogias que são feitas durante os diálogos. Outra técnica utilizada pelo diretor para manter o interesse visual nessa película intimista seria a divisão dos fatos por capítulos com nomes sugestivos e provocativos aos sentidos de quem assiste.

    O que poderia ser questionado nesse filme está em como ele foi recebido pela mídia e críticos de grande importância para a sétima arte. Se imaginássemos o mesmo enredo porém tendo como protagonista um homem, este seria visto como um ser frio mas próximo de sua realidade. A traição, bigamia, erotismo presentes no filme e expostos por uma mulher é, de fato, o que torna ainda mais preconceituosa a ideia de aceitar uma história como essa. A abordagem desse tema pelo cineasta leva quem assiste à quebra de tabu, machismo e sexualidade feminina, que mesmo nos dias atuais é reprimida devido a bagagem histórica. A exposição do corpo e proximidade do orgasmo mesmo para uma mulher do século XXI é alimentada com crenças punitivas e delirantes. 

    A mensagem portanto surtiu efeito positivo nas poltronas feministas e liberais, já que a história leva a personagens a lugares obscuros e masoquistas, desconcertando o patrão de filmes premiados.

Resenha crítica: Histórias Cruzadas

Titulo original: The Help


   A obra cinematográfica, inspirada no best seller homônimo da escritora norte-americana Kathryn Stockett, retrata de forma sensível, envolvente e comovente a vida das empregadas domésticas negras do Mississipi na década de 60. A trama se desenvolve em um contexto de escancarada segregação racial. Época em que despontaram diversas revoltas populares. A sociedade negra, considerada 2ª classe até então, era impedida de frequentar normalmente escolas, universidades, ônibus ou qualquer outro ambiente destinado aos brancos em alguns estados. A manifestação mais famosa - e citada, sutilmente no filme em comento - foi o Movimento dos Direitos Civis dos Negros (1955-1968), que almejava reformas que abolissem todas as cruéis formas de discriminação no país. 

    As "pessoas de cor" clamavam, principalmente, pela famigerada dignidade racial, até então muito distante. Também é citada a seita Ku Klux Klan, o movimento que pregava a supremacia branca, elemento real que aconteceu naquele momento da história dos Estados Unidos. É nesse pano de fundo, que sensibilizada com o comportamento claramente racista das jovens senhoras de sua idade, a jornalista recém-formada e aspirante à escritora Srta. Skeeter planeja escrever um livro que retrate a latente hostilidade racial. O diferencial, entretanto, seria a perspectiva a partir da qual a história seria contada: as próprias negras que sempre cuidaram das “famílias do sul”, relatariam as suas dolorosas, curiosas e engraçadas experiências através de depoimentos feitos em segredo à jovem jornalista.

  O longa metragem nos convida a uma profunda reflexão. Costumes até então vistos com naturalidade, têm seu viés preconceituoso desmascarado durante todo o enredo, como por exemplo, o banheiro dos fundos reservado aos empregados, os talheres, copos e pratos diferenciados ou a proibição tácita de sentar à mesa junto aos patrões. O expectador que assiste ao filme, a essa altura, inevitavelmente embarca em uma viagem que percorre a própria história e a de familiares ou amigos. Outro tema relatado no filme é o machismo demonstrado nas relações familiares patriarcais do filme. Evidenciadas nas famílias brancas mas com agravantes nas negras e pobres, onde a mulher trabalha como doméstica, tendo que abandonar seus estudos para que seja considerada útil pelo marido.

   O filme inclusive relata uma cena de violência doméstica que vem a ser questionada por uma das personagens, expressando a impotência das mulheres diante da questão na época. O papel que Skeeter mostra como comunicadora no filme ajudou de certo modo, as pessoas a mudarem suas opiniões quanto às empregadas negras. Ajudou a mostrar um pouco do dia-a-dia delas e de certo modo, impulsionou a integração entre negro e brancos que vem acontecendo com o passar do tempo.