quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Resenha crítica: Histórias Cruzadas

Titulo original: The Help


   A obra cinematográfica, inspirada no best seller homônimo da escritora norte-americana Kathryn Stockett, retrata de forma sensível, envolvente e comovente a vida das empregadas domésticas negras do Mississipi na década de 60. A trama se desenvolve em um contexto de escancarada segregação racial. Época em que despontaram diversas revoltas populares. A sociedade negra, considerada 2ª classe até então, era impedida de frequentar normalmente escolas, universidades, ônibus ou qualquer outro ambiente destinado aos brancos em alguns estados. A manifestação mais famosa - e citada, sutilmente no filme em comento - foi o Movimento dos Direitos Civis dos Negros (1955-1968), que almejava reformas que abolissem todas as cruéis formas de discriminação no país. 

    As "pessoas de cor" clamavam, principalmente, pela famigerada dignidade racial, até então muito distante. Também é citada a seita Ku Klux Klan, o movimento que pregava a supremacia branca, elemento real que aconteceu naquele momento da história dos Estados Unidos. É nesse pano de fundo, que sensibilizada com o comportamento claramente racista das jovens senhoras de sua idade, a jornalista recém-formada e aspirante à escritora Srta. Skeeter planeja escrever um livro que retrate a latente hostilidade racial. O diferencial, entretanto, seria a perspectiva a partir da qual a história seria contada: as próprias negras que sempre cuidaram das “famílias do sul”, relatariam as suas dolorosas, curiosas e engraçadas experiências através de depoimentos feitos em segredo à jovem jornalista.

  O longa metragem nos convida a uma profunda reflexão. Costumes até então vistos com naturalidade, têm seu viés preconceituoso desmascarado durante todo o enredo, como por exemplo, o banheiro dos fundos reservado aos empregados, os talheres, copos e pratos diferenciados ou a proibição tácita de sentar à mesa junto aos patrões. O expectador que assiste ao filme, a essa altura, inevitavelmente embarca em uma viagem que percorre a própria história e a de familiares ou amigos. Outro tema relatado no filme é o machismo demonstrado nas relações familiares patriarcais do filme. Evidenciadas nas famílias brancas mas com agravantes nas negras e pobres, onde a mulher trabalha como doméstica, tendo que abandonar seus estudos para que seja considerada útil pelo marido.

   O filme inclusive relata uma cena de violência doméstica que vem a ser questionada por uma das personagens, expressando a impotência das mulheres diante da questão na época. O papel que Skeeter mostra como comunicadora no filme ajudou de certo modo, as pessoas a mudarem suas opiniões quanto às empregadas negras. Ajudou a mostrar um pouco do dia-a-dia delas e de certo modo, impulsionou a integração entre negro e brancos que vem acontecendo com o passar do tempo.

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