O cinema é um ponto
de vista da realidade. Quando este ponto de vista é unilateral, causa exclusão
e preconceito. Quando a narrativa do filme é embasada em noções sobre a
realidade social, o enredo trás autonomia para os grupos não hegemônicos. As
mulheres, mesmo sendo maioria da população no mundo, são sub julgadas ao
patriarcado.
Para ser comunicadora
é preciso pensar a vulnerabilidade presente na identidade das pessoas que serão
representadas no discurso. A luta contra-hegemônica acontece nos meios de
comunicação e o cinema pode ser considerado um deles. Mesmo que o objetivo
concreto da indústria cinematográfica seja entreter, esse meio acaba criando
comoção ao transmitir sua mensagem. É muito importante elaborar estratégias
discursivas que incluam novos personagens e novas vivências nas histórias dos
filmes. Quando as pessoas vão para o cinema, projetam identificação naquilo que
está sendo mostrado, interpretado e relatado. Os cidadões levam o conteúdo dos
filmes para além das poltronas e salas, mas também para suas vidas. Compreender
que a narração desperta no telespectador uma reflexão filosófica.
Portanto, o cinema é
um espaço de criação filosófica do ambiente social. A hegemonia normativa da
mídia foi transportada para as telas e isso precisa ser mudado. Em nossa época,
com a expansão do conhecimento sobre minorias e principalmente representação do
cidadão, a composição do elenco cinematográfico expandiu e pode expandir ainda
mais para a igualdade. O empoderamento feminino presente nos ideias propostos
em alguns filmes atuais causa uma ruptura com o pensamento retrógrado sobre a
mulher.
Então, levando em
consideração que o poder da mídia depende de um contexto, de filtros e situação
históricas, fica ainda mais complicado descontruir os estigmas do racismo,
machismo e opressões quando o senso comum se repete. De acordo com Nanette Braun,
da ONU Mulheres: “A mídia cia uma visão
de mundo que se entranha profundamente na percepção das pessoas de como as
coisas são. A maneira como as mulheres são retratadas perpetua atitudes
discriminatórias e sexistas e a noção de que meninas e mulheres ‘não contam’”

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