sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Entrevista: Professora de Teatro

Carolina Ferreira, tem 32 anos, mora em Seropédica e atua no Centro Cultural da cidade como professora de teatro. Em entrevista exclusiva, ela conta sobre sua tragetória com a profissão e os desafios de lecionar artes cênicas. Aperte o play e confira o depoimento de Carolina na integra.


 Após nossa entrevista, ainda tomamos um capuccino e aproveitamos o ambiente agradavél da cafeteria ' Caffé' no centro da cidade. Carolina conta que as oficinas de teatro vão ser ministradas no CIEP do km49. A animação da professora é super contagiante e eu estou pensando em participar de suas aulas.

Sugestão: KBELA


“O negro é o único indivíduo no Brasil que precisa se assumir enquanto sua própria raça/etnia.”





Assistam: KBELA ! O curta-metragem da cineasta brasileira Yasmin Thayná, 24 anos. A partir de contos de MC KBELA, nasceu a ideia de narrar a história na frente das cameras. Foram convocadas meninas negras em uma chamada pública no Rio de Janeiro para participar do documentário que veio para revolucionar o cinema. O tema do filme é o embranquecimento para conquistar padrões de beleza. Após passar por tratamentos químicos no cabelo para se sentir bonita, uma jovem da baixada Fluminense, decide se reinventar e aceitar suas origens africanas. No início do ano de 2013, eu, Debora Dantas, Erica Magni, Luana Dias, Saulo Martins, Felipe Drehmer e Bruno F. Duarte decidimos fazer o filme. As cenas também contam com a participação de uma mulher trans, que é retratada em suas dificuldades em conseguir a própria identidade. Vale a pena conhecer a história do curta, que já participa de festivais internacionais e leva um pouco da ideia de cultura afro sendo oprimida na sociedade.









quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Resenha crítica: Filme Ninfomaníaca

    O tema escolhido surgiu com a análise dos filmes vol.1 e vol.2, do autor dinamarquês  Lars von Trier que concorreu ao Oscar 2014.
Ao escolher esse tipo de produção, é preciso estar preparado para se desfazer de tabus e moralismos sociais pré-estabelecidos. O filme conta a trajetória sexual de uma jovem chamada Joe e sua constante procura por sentir algo, seja essa busca através de um orgasmo ou relações interpessoais. Com cenas explicitas de sexo real e nudez frontal chocantes para o publico, o filme trás a ideia de quebra de estereótipos para melhor compreensão do ser. A partir do desenrolar do filme e das inúmeras frases irônicas típicas do autor, levantam-se questões sobre a sanidade da personagem, assim como detrimento religioso e concepção de um ser que, segundo a história, não se encaixa socialmente. Se tratando de uma mulher e o numero de relações propostas pelo filme, o preconceito e a limitação moral são temas confrontados nesse tipo de filme. 


   A história é separada em dois volumes o que deixa o enredo do primeiro filme um pouco mais monótono do que o segundo, as cenas de sexo que antes seriam o principal motivo de interesse do telespectador são deixadas de lado quando a crise existencial da personagem começa a emergir, levando a questionamentos e analogias que são feitas durante os diálogos. Outra técnica utilizada pelo diretor para manter o interesse visual nessa película intimista seria a divisão dos fatos por capítulos com nomes sugestivos e provocativos aos sentidos de quem assiste.

    O que poderia ser questionado nesse filme está em como ele foi recebido pela mídia e críticos de grande importância para a sétima arte. Se imaginássemos o mesmo enredo porém tendo como protagonista um homem, este seria visto como um ser frio mas próximo de sua realidade. A traição, bigamia, erotismo presentes no filme e expostos por uma mulher é, de fato, o que torna ainda mais preconceituosa a ideia de aceitar uma história como essa. A abordagem desse tema pelo cineasta leva quem assiste à quebra de tabu, machismo e sexualidade feminina, que mesmo nos dias atuais é reprimida devido a bagagem histórica. A exposição do corpo e proximidade do orgasmo mesmo para uma mulher do século XXI é alimentada com crenças punitivas e delirantes. 

    A mensagem portanto surtiu efeito positivo nas poltronas feministas e liberais, já que a história leva a personagens a lugares obscuros e masoquistas, desconcertando o patrão de filmes premiados.

Resenha crítica: Histórias Cruzadas

Titulo original: The Help


   A obra cinematográfica, inspirada no best seller homônimo da escritora norte-americana Kathryn Stockett, retrata de forma sensível, envolvente e comovente a vida das empregadas domésticas negras do Mississipi na década de 60. A trama se desenvolve em um contexto de escancarada segregação racial. Época em que despontaram diversas revoltas populares. A sociedade negra, considerada 2ª classe até então, era impedida de frequentar normalmente escolas, universidades, ônibus ou qualquer outro ambiente destinado aos brancos em alguns estados. A manifestação mais famosa - e citada, sutilmente no filme em comento - foi o Movimento dos Direitos Civis dos Negros (1955-1968), que almejava reformas que abolissem todas as cruéis formas de discriminação no país. 

    As "pessoas de cor" clamavam, principalmente, pela famigerada dignidade racial, até então muito distante. Também é citada a seita Ku Klux Klan, o movimento que pregava a supremacia branca, elemento real que aconteceu naquele momento da história dos Estados Unidos. É nesse pano de fundo, que sensibilizada com o comportamento claramente racista das jovens senhoras de sua idade, a jornalista recém-formada e aspirante à escritora Srta. Skeeter planeja escrever um livro que retrate a latente hostilidade racial. O diferencial, entretanto, seria a perspectiva a partir da qual a história seria contada: as próprias negras que sempre cuidaram das “famílias do sul”, relatariam as suas dolorosas, curiosas e engraçadas experiências através de depoimentos feitos em segredo à jovem jornalista.

  O longa metragem nos convida a uma profunda reflexão. Costumes até então vistos com naturalidade, têm seu viés preconceituoso desmascarado durante todo o enredo, como por exemplo, o banheiro dos fundos reservado aos empregados, os talheres, copos e pratos diferenciados ou a proibição tácita de sentar à mesa junto aos patrões. O expectador que assiste ao filme, a essa altura, inevitavelmente embarca em uma viagem que percorre a própria história e a de familiares ou amigos. Outro tema relatado no filme é o machismo demonstrado nas relações familiares patriarcais do filme. Evidenciadas nas famílias brancas mas com agravantes nas negras e pobres, onde a mulher trabalha como doméstica, tendo que abandonar seus estudos para que seja considerada útil pelo marido.

   O filme inclusive relata uma cena de violência doméstica que vem a ser questionada por uma das personagens, expressando a impotência das mulheres diante da questão na época. O papel que Skeeter mostra como comunicadora no filme ajudou de certo modo, as pessoas a mudarem suas opiniões quanto às empregadas negras. Ajudou a mostrar um pouco do dia-a-dia delas e de certo modo, impulsionou a integração entre negro e brancos que vem acontecendo com o passar do tempo.

Sugestões: LGBTTS na Telona

Neste post vamos falar de um tema que ainda causa muita polêmica no cinema nacional e estrangeiro. Os filmes LGBTTS. Hoje em dia muito filmes contam histórias gays, como Hoje eu não quero voltar sozinho, entre outros filmes que abordam romances homoafetivos de maneira bem dramática.
Mas, lembrando vocês que o pensamento é voltado para comunicação e cidadania, vamos falar de minorias ainda mais invisibilizadas no espaço cinematográfico. Trata-se da invisibilidade lésbica e invisibilidade trans. Fiz uma lista Top 5 indicações ao Oscar, vale a pena assistir.

5 Filme " Clube de compras Dallas "Data de lançamento 21 de fevereiro de 2014 (1h 57min)
Direção: Elenco: Matthew McConaugheyJennifer GarnerJared Leto mais
Gêneros DramaBiografia
Nacionalidade Eua

4 Filme Monster - Desejo Assasino
Data de lançamento 18 de junho de 2004 (1h 51min)
Direção: 
Gêneros DramaBiografia

3 Minhas mães e meu pai
Data de lançamento 12 de novembro de 2010 (1h 44min)
Direção: 
Nacionalidade Eua
4 Azul é a cor mais quente
Data de lançamento 6 de dezembro de 2013 (2h 57min)
Direção: 
Gêneros DramaRomance
Nacionalidade França


1 Filme Flores Raras
Data de lançamento 16 de agosto de 2013 (1h 44min)
Direção: 
Gêneros DramaBiografiaRomance
Nacionalidade Brasil

É isso, gostaria de reforçar que o respeito ao direito da outra pessoa é uma forma de exercer Cidadania. Vamos nos comunicar e falar que liberdade e o amor devem prevalecer e, é claro, vamos valorizar o cinema nacional minha gente !

Livros : Pauta Aqueles dias

Vamos quebrar os tabus. Você sabia que existem filmes curtas-metragem que falam do Humor durante o ciclo menstrual ? E também da Primeira festa na lua, festa do primeiro ciclo menstrual ?! Então, os filmes expõem muito pouco o acontece uma vez ao mês com o nosso corpo. Por isso, o período feminino passa a ser invisível para muitos, mas não para nós. Sentimos todos os meses as cólicas, desconfortos e o sangramento. Ficamos cada vez mais preocupadas em não manchar nossas roupas e as vezes até nos sentimos sujas. Esse pensamento é uma repressão criada para as mulheres, em algumas culturas a mulher fica separada em uma cabana sem poder sair até que o ciclo menstrual acabe. Para a gente parar de sofrer e desencanar de vez sobre esse assunto, assista aos vídeos, pesquise e converse com o médico. Saúde em primeiro lugar.

Click -> Dúvidas sobre a menstruação

Está moça na foto é Rupi Kaur, poetiza indiana, ela é conhecida como Istapoet (Publica poemas no Instagram). Ela foi censurada pelo Instagram ao postar fotos durante o período menstrual. Feminista, a poetiza contemporanêa questionou a decisão do App, que logo se redimiram. Ela também escreveu um livro " Leite e Mel ", fica ai a sugestão para quem quiser seguir.

Sugestão: Estrelas Além do Tempo

   O lançamento 2 de fevereiro de 2017 (2h 06min), tem como diretor chega nas telonas um filme sobre mulheres da NASA baseado em fatos reais. O longa metragem conta a história de 3 cientistas negas que sofreram preconceito racial mas não desistiram de seus sonhos. Trabalharar na NASA, enviar um foguete ao espaço e combater o racismo é sim um tema digno de Hollywood. 
Gêneros DramaBiografiaNacionalidade Eua.




Crônica: Que papéis as mulheres estão fazendo ?


A mídia hegemônica tem uma mania de retratar mulheres em personagens que não representam realmente quem somos. A verdade é que são poucas personagens mulheres em relação aos personagens homens. É comum encontrarmos mulheres em filmes sucesso de bilheteria ? Sim, mas preste atenção na representação dessa mulher, suas falas, roupas e ações. Infelizmente a sexualização da mulher nas telonas não é novidade, são roupas sexy, nudez explicita e relações interpessoais superficiais, a fim de promover o homem da história. Não são todos, mas é difícil encontrar um filme em que mulheres conversam sobre economia, política, saúde e sucesso profissional. Boa parte dos longa metragem, não só os do gênero " romance ", fazem a interpretação da mulher como objeto e recompensa para o homem. Com esses argumentos podemos refletir sobre a representação da mulher no cinema. Isso parece justo ? Somos muito mais que um pedaço de carne ! Somos seres humanos com personalidades distintas e totalmente fora dos padrões machistas. É preciso olhar as estatísticas e refletir sobre a importância do quem vem sendo mostrado, criar novas narrativas e desmascarar a ideologia da mulher como submissa ao patriarcado.


Livro: Cidadania no Feminino

  Em meus estudos bibliográficos na Biblioteca do CAIC- Seropédica, onde trabalho como bibliotecária de apoio técnico, encontrei um livro muito interessante para enriquecer este blog.

    O livro "História da Cidadania:Cidadania no Feminino", da FNDE( Fundação Nacional do Direito à Educação", foi publicado pela editora Contexto e tem como organizadores Jaime Pinky e Carla Pinky. A página 494 abriga o capitulo: Brasileiras, cuja autora Maria Lúgia Quantim de Moraes fala sobre a situação da cidadã mulher no Brasil.

   O texto aborda a situação econômica que se encontra o nosso país. Conta que o Brasil é um dos quadro países do mundo com maior concentração de riqueza e desigualdade social. Mas o que é essa desigualdade ? A concentração de lucro na mão de poucos e a maior parte da população vivendo na pobreza. Entre os mais atingidos por essa má condição financeira está a mulher brasileira. Isso acontece devido a diferença salarial entre a mulher e o homem, que geralmente assumem as responsabilidades doméstica e familiares. " As mulheres brasileiras, discriminadas e oprimidas, como na maior parte das sociedade, continuem, entretanto, um dos segmentos que mais se destacam na luta pela universalização dos direitos socieias, civis e políticos."

   É a sociedade que define os usos, costumes e valores do ser humano, de acordo com o gênero. Ser mulher, socialmente falando, tem amarras e discriminações que estão impregnadas no "sistemas organizados que abrangem toda existência: política, religião, conceito de beleza, economia, costumes, corpo, saúde, dor e até na morte." (Anésia Pacheco Chaves)



   A representatividade da mídia jornalística e cinematográfica preocupa-se muito pouco em fugir dos esteriótipos e criar uma visão igualitária da mulher. Para que seja possível problematizar essa questão, é preciso compreender o sistema familiar, a organização econômica, os sistemas jurídicos e religiosos que concebem o lugar que a mulher deve ocupar na sociedade. A partir ideologia do que é "próprio para mulher " entenderemos como somos afetadas na esfera do trabalho remunerado, nas responsabilidades do lar e dos filhos e no acesso à educação que só foi permitido a mulher brasileira em 1827.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Perfil :A filmmaker

Ludmila, 37 anos

Você está envolvida na área de cinema ?
Ludmila: Estou sim

Me conta un pouco da sua experiência?
Ludmila: Fiz meu primeiro doc em 2004, mas só larguei o jornalismo pra me dedicar
exclusivamente ao cinema em 2012. Trabalho como diretora, assistente de direção,
pesquisadora, produtora e até fotógrafa e editora as vezes.

Você precisou fazer algum curso para a área do cinema ? Como sua carreira começou ?
Ludmila: Minha formação é de “filmmaker”
Ou seja, me viro da captação à finalização, quando não há recursos, mas prefiro trabalhar com equipe e não acumular função. Comecei no documentário mas estou caminhando para a ficção, escrevendo agora meu primeiro roteiro sobre um advogado q defendia os moradores de favela contra remoção nos anos 50/60. Primeiro roteiro de longa, digo. Atualmente estou também filmando meu primeiro longa doc, sobre a viúva de Luiz Carlos Prestes, a Maria Prestes.


Me conte quais são seus desafios em atuar no cinema por ser uma mulher?
Ludmila: Eu acho que os editais ainda contemplam em desequilíbrio homens e mulheres e há
muito machismo ainda no caminho da mulher que ocupa um cargo de liderança. E isso acho que
não só no cinema. O meu filme busca valorizar o protagonismo feminino na história do nosso
país também, pois já estamos cansadas de só ler sobre os herois, né?


Sugestão: curta-metragem tema "cultura do estupro"

Marccela Moreno, 27 anos. 
Salvador- Bahia mas mora no Rio de Janeiro. 

Qual o seu papel na realização de cinema? 

Marccela: Sou realizadora. Dirijo, escrevo e às vezes monto. Atualmente trabalho com produção numa produtora mas faço meus projetos pessoais como diretora. Passei agora em Tiradentes com um curta chamado “O mais barulhento silêncio” sobre cultura do estupro. Foi bem incrível trabalhar só com mulheres, ainda mais pela natureza do projeto! E essa temática da mulher no cinema me toca muito estou querendo fazer meu próximo filme sobre isso. 

Quando você escreveu “ O mais barulhento silêncio” você se inspirou em histórias reais ? 

Marccela: Uma das histórias do filme surgiu de uma experiência pessoal minha, é a do cara que tem filha e depois que eu percebi como que uma pessoa que tinha passado por um estupro de uma maneira que eu cheguei a me culpar, durante todo momento eu não me senti contente com a situação. Não foi tipo “ai transei me arrependi!” Eu não queria, tava esquisito e eu só fui me tocar disso uma semana depois. Eu comecei a conversar com as minhas amigas, chorar, eu comecei a ver que essa história era muito mais comum do que eu imaginava. Não é uma coisa facil de lidar, eu fui estuprada, e isso é uma coisa que a gente acha que nunca vai acontecer. É um estigma a palavra estupro. Então eu confrontei o cara que me disse aquelas coisas “ Se você é feminista porque você não se empodera ? Porque você foi na minha casa? Eu sou homem!” Então eu tive a ideia que iria fazer um filme sobre isso. Porque quando eu conversei com as minhas amigas, todas já tinham passado por isso e eu não sabia, eu percebi que a gente não fala sobre. E precisamos falar, não só uma pras outras mas eu quero que o máximo de homens assista. Eu queria fazer o filme com as mulher deitadas em uma cama, com a câmera de cima pra baixo, revelando a ótica do estuprador. Porque eu acredito que a sociedade inteira corrobora pra isso. A sociedade inteira que estupra uma mulher, simbólicamente. Tem quem comete o ato mas tem toda a fala que culpa a mulher. 

Como foi a produção do filme ? 

Marccela: O filme ele foi desenvolvido na oficina de documentário da PUC. Precisou passar por uma banca, o projeto foi contemplado e recebemos uma ajuda de custo para realizar o filme, em setembro de 2015. Filmamos em novembro de 2015 e ele ficou pronto em junho de 2016. Minha condição era que eu queria uma equipe só de mulheres. Não só pela delicadeza do tema, mas porque é uma declaração política mesmo. Não é que existam poucas mulheres fazendo filme ou trabalhando com cinema. Existe uma dificuldade maior pra gente acessar esse mercado, para ser vista e reconhecida. Uma professora sugeriu: acho que você devia usar atrizes para proteger essas mulheres, porque depois que for divulgado não teremos mais controle sobre isso. Vai que esses caras voltam atrás delas ?! Essa ideia foi ótima pois serviu pra criar essa outra estética bem diferente dentro do documentário. 


Como foi a repercussão do filme ?

Marcella: Ele está em época de carreira para festival. Nós estreamos ano passado no Festival Internacional de Salvador, no Panorama internacional Curtas de Cinema. Recentemente exibimos em Tiradentes-MG e agora estamos no processo de distribuição do filme. Além da gente já ter feito em várias ocupações de escolas e na ocupação do MINC. 

Como que é a aceitação das pessoas quando descobrem o tema do seu documentário ?
Marcella: A aceitação é muito boa, é um tema que as pessoas sentem a necessidade de debater esse tema mas não sabem como. Eu exibi muito para o público jovem, fomos em 5 colégios aqui no Rio. Também exibimos em um Congresso Internacional de violência doméstica e foi sempre muito calorosa a recepção. As pessoas se sentem muito tocadas. É um tema muito dificil as vezes dentro do cinema, o filme acaba entrando como um tema muito específico, no cinema é visto como um nicho, eu tenho a impressão as vezes que ele fala pra um segmento especifico só que é loucura isso, porque mais 3.5 bilhões de pessoas no mundo são mulheres e estão passíveis de serem estupradas logo, como é que isso configura um nicho?

Perfil: A produtora



Roberta Costa, 35 anos.

 Você é da área do cinema?
Roberta: faço parte de um coletivo de mulheres no audiovisual temos 2 filmes finalizados e um em processo as meninas que marquei fazem parte, além de atuarem exclusivamente na área.

Qual é o seu papel nos filmes produzidos?
Roberta: Produtora e concepção artística.

Você pode me contar um pouco de como você faz para produzir filmes? Quais são os maiores desafios e o que você mais gosta de fazer?
Roberta: Eu faço parte de um coletivo de mulheres. se chama mulheres de pedra. nós produzimos algumas ações na nossa casa, em pedra de guaratiba. dentre elas saraus e performances. acontece que depois dessa facilidade maior em acessar equipamentos e ferramentas de audiovisual, as pessoas começaram a registrar nossas ações e ficava tudo muito bonito, sabe? Algumas dessas pessoas eram nossas amigas e algumas das mulheres do coletivo também trabalhavam com audiovisual, eu já havia produzido algumas coisas ,outras de nós já estavam no cinema e começamos a querer nos registrar. Será que o nosso registro, por nós mesmas, seria diferente? melhor, pior? Então, veio o “Festival 72h” e resolvemos investir nessa aventura chamada cinema, participamos em 2015 eassim começamos. Fazemos na guerrilha, né? A captação de recursos ainda é um problema para os pequenos. Especialmente no nosso caso, com projetos autorais e que a temática é gênero e raça. Eu sou produtora. Gosto de ver a coisa tomando forma, do nosso jeito. Na nossa lógica (que é baseada na colaboração, no empoderamento preto feminino e na economia solidária).



Gostaria de saber a parte específica de gênero e raça, poderia falar mais um pouco ?

Roberta: Então, quando decidimos fazer o “Elekô”, num momento da montagem da equipe, percebemos que éramos apenas mulheres e isso podia ter mudado no meio do caminho, mas decidimos bancar. Começamos a identificar as funções em que as mulheres não estão, seja por não dominar a técnica ou até o equipamento. Quando falamos de mulheres negras, a coisa piora, se não conseguimos estar atrás das câmeras, vai saber como nossas histórias vão ser contadas, né? Embarcamos no desafio da equipe de mulheres e com protagonismo preto. Seriam as nossas histórias, com nossa estética, do nosso jeito e estamos aí tentando e a gente acaba levando isso pra vida, saca? Hoje quando contrato em qualquer projeto, isso é uma preocupação, é um ponto que precisamos pensar: onde nossas manas estão atuando, saca? Eu acho, de verdade, que é por aí que vamos mudar o mundo, temos de dominar as técnicas do audiovisual e ir contar nossas histórias.




Aqui tem um link com video sobre o processo criativo: 72Horas - Entrevista com as Mulheres de Pedra

Aqui uma entrevista sobre o coletivo Mulheres de Pedra: Grupo de mulheres usa arte como instrumento de preservação da cultura negra

Se quiser marcar o perfil é aqui: Elekô

Perfil Mulheres de Pedra

Perfil do novo filme que estamos lançando QUIJAUA: Quijaua O Filme

https://www.facebook.com/events/604730763063962/

Perfil: A camêra e artista visual

Aline Chagas, 24 anos 

Conte um pouco de sua experiência com o cinema ? 
Aline:  Então, eu tenho interesse em audiovisual desde a adolescência. Fiz alguns cursos livres, onde tive meu primeiro contato. Posteriormente tive a oportunidade de ser aprendiz na Rede Globo, como câmera, mas ainda era uma vertente mais mecânica do que eu gostaria. Há um ano atrás comecei a fazer escola de cinema voltada pra Direção, e nesse curso pude de fato entrar em contato com esse universo. Sempre tive vontade de trabalhar nessa área, juntamente com meu trabalho como artista visual. Então,tento botar isso em prática nos exercícios que são cobrados no curso. Fora isso, trabalho por minha conta. Tento colocar minhas ideias em prática e trabalho com uma amiga nesses projetos que envolvem arte e cinema. Sempre nós duas sozinhas. Acredito que não haja ainda um espaço aberto pra nós, e também vejo poucas mulheres em relação aos homens nesse mercado. No curso mesmo não tivemos um enfoque nas cineastas importantes.. Não há muita divulgação desses nomes, ao meu ver. Justamente por isso acho importante seguir fazendo. Seguir colocando as ideias em prática.

Você já sofreu algum constrangimento nesse ramo por ser mulher?
Aline: Não sei se posso chamar de constrangimento. O que eu sinto é que isso varia de acordo com quem você trabalha e qual função você executa. Pelo menos na maior parte das vezes. A questão é que ocupamos muito pouco. Não há muitas mulheres ocupando esses espaços, mas independente disso a gente depende de todas as funções pra coisa funcionar.

Você já sofreu algum tipo de preconceito por ser mulher?
Aline: Sim. Alguns. Acho que ainda há uma visão de que não somos capazes de ocupar alguns espaços.

Quais são suas expectativas para o futuro do cinema nacional?
Aline: Minha expectativa é seguir fazendo parte. Seguir fazendo. E que haja mais espaço pra quem tá começando.


Perfil: A diretora Cinematográfica

Aryanne Soares, 33 anos

Nova Iguaçu, Rio de Janeiro.

Qual sua função no cinema? 
Aryanne: Direção cinematográfica.

Aonde você trabalha? Aryanne: Por enquanto só estudando e lançando alguns projetos independentes.

Quais são esses projetos?
Aryanne:Um projeto pessoal chamado ‘LIBERDADE’ e outro aguardado patrocínio da fundação Cesgranrio (não posso divulgar). O ‘Canção da Liberdade’ é um documentário que relata trechos da história de Helen Berhan, uma mulher que ficou presa durante 2 anos e 10 meses em um container no campo de concentração de Metire, localizado na Eritréia.

Conte mais sobre o projeto Liberdade?


Aryanne: Projeto liberdade já está em pesquisa a 2 anos. Conta a História de Helen Berhane uma cristã da Eritréia que passa 2 anos sofrendo torturas em uma prisão militar. O projeto começou quando eu li a biografia dela e o sonho começou aí. Comecei a fazer pesquisas sobre a política, economia, cultura e religião na Eritréia. No final de 2015 tive a oportunidade de conhece-la pessoalmente em uma visita que ela fez ao Brasil. Não sosseguei enquanto não consegui alguns minutos de conversa com ela e consegui pessoalmente a autorização para contar a história dela. Ela mora hoje na Holanda e mantemos contato. Desde a leitura do livro, eu já dirigi um curta-documentário sobre a vida dela, já dirigi uma peça de teatro e o próximo é dirigir um longa contando a vida da Helen. Já tenho algumas cenas filmadas mas é um projeto que vai levar tempo.



Pode me mandar o link do curta? Canção da Liberdade


Perfil: A atriz

Taty Godoi, 41 anos.
São Paulo


Qual é a sua relação com o cinema ?
Taty: Sou atriz, já fiz 23 curtas e participei de 5 longas.

Você acha que o cinema e cidadania estão interligados ?
Taty: Com certeza, pois o cinema leva a cultura a todos os lugares, principalmente aos lugares periféricos.

Na sua opinião, o cinema pode afetar as mulheres da periferia ?
Taty: O cinema infelizmente quase não chega as mulheres da periferia, tendo em vista que a maioria das mulheres na periferia são negras e essas mulheres nunca são retratadas. Ou quando são… Não são protagonistas das suas histórias.

Você como atriz já fez algum papel representando essas moças ?
Taty: Sim tem vários no meu canal do YouTube/tatianagodoi, mas tem um curta que se chama ‘Encontro’ no qual eu vingo meu filho que foi assassinado por um policial e tem outro que chama ‘Amanhã talvez’ na qual convivo com um marido alcoólatra.


Perfil: A artista de rua

     O grupo Tá na Rua, é uma companhia de teatro de rua que faz apresentações no Rio de Janeiro. A cede do grupo é na Lapa e no dia 27 de janeiro encontramos Amir Haddad e seus artistas no CEU - Casa do Estudante Universitário. Em entrevista especial, conversei com a atriz Bruna e seu filho Noá, que fazem parte do projeto artístico. Bruna é mãe e contou sobre suas dificuldade de trabalhar com arte e ter a rua como palco. 
Confira o relato no áudio abaixo.



O CINEMA E A COMUNICAÇÃO


O cinema é um ponto de vista da realidade. Quando este ponto de vista é unilateral, causa exclusão e preconceito. Quando a narrativa do filme é embasada em noções sobre a realidade social, o enredo trás autonomia para os grupos não hegemônicos. As mulheres, mesmo sendo maioria da população no mundo, são sub julgadas ao patriarcado.
Para ser comunicadora é preciso pensar a vulnerabilidade presente na identidade das pessoas que serão representadas no discurso. A luta contra-hegemônica acontece nos meios de comunicação e o cinema pode ser considerado um deles. Mesmo que o objetivo concreto da indústria cinematográfica seja entreter, esse meio acaba criando comoção ao transmitir sua mensagem. É muito importante elaborar estratégias discursivas que incluam novos personagens e novas vivências nas histórias dos filmes. Quando as pessoas vão para o cinema, projetam identificação naquilo que está sendo mostrado, interpretado e relatado. Os cidadões levam o conteúdo dos filmes para além das poltronas e salas, mas também para suas vidas. Compreender que a narração desperta no telespectador uma reflexão filosófica.
Portanto, o cinema é um espaço de criação filosófica do ambiente social. A hegemonia normativa da mídia foi transportada para as telas e isso precisa ser mudado. Em nossa época, com a expansão do conhecimento sobre minorias e principalmente representação do cidadão, a composição do elenco cinematográfico expandiu e pode expandir ainda mais para a igualdade. O empoderamento feminino presente nos ideias propostos em alguns filmes atuais causa uma ruptura com o pensamento retrógrado sobre a mulher.

Então, levando em consideração que o poder da mídia depende de um contexto, de filtros e situação históricas, fica ainda mais complicado descontruir os estigmas do racismo, machismo e opressões quando o senso comum se repete. De acordo com Nanette Braun, da ONU Mulheres: “A mídia cia uma visão de mundo que se entranha profundamente na percepção das pessoas de como as coisas são. A maneira como as mulheres são retratadas perpetua atitudes discriminatórias e sexistas e a noção de que meninas e mulheres ‘não contam’”

A DESIGUALDADE DE GÊNERO NA VIDA REAL

Todos os aspectos de personagens que citamos no site, não é motivo para segregar os atores. É importante compreender que a indústria cultural e cinematográfica funciona visando as margens de lucro e gere o negócio mundialmente famoso seguindo os padrões estabelecidos. Por isso, quando pensamos em cinema usamos como objeto de estudo Hollywood e não o cinema nacional. Em escala mundial a máquina de sonhos, que produz inúmeros sucessos que são recordes de bilheteria, é o cinema americano. Posteriormente, em um estudo mais aprofundados, pode-se pensar Bollywood, o cinema indiano que também elabora filmes incríveis. Mas, voltando para a produção da América, vamos pensar a vida por trás das câmeras. O tema mulheres no cinema aborda as grandes personagens e agora precisa pensar nas atrizes e outras mulheres nos bastidores que fazem tudo funcionar.

Primeiramente vamos destacar a diferença salarial que emprega homens e mulheres em categorias iguais mas salários diferentes. Os atores ganham mais do que as atrizes, é um fato. Porém existem vagas que são quase exclusivas dos homens, monopolizadas pelo machismo e em casos de liderança minimamente ocupados por mulheres. Analisando a margem de contratação e empregos nos bastidores desde 1998 até 2012, percebe-se que o número de mulheres contratadas varia de 9% à 25% por cento em relação aos empregados homens.



O salário das atrizes também tem diferença, enquanto a participação nos lucros de um filme para um homem é de 9%, para uma mulher é de 7%. Essa avaliação é um caso isolado do filme ‘A trapaça’, em que foi descoberto por um grupo de rackers o e-mail da SONY Movies falando sobre a bonificação da atriz Jennifer Lawrence e do ator Christian Bale. 

Testes de empoderamento

O papel da mulher cis é uma distorção da realidade em muitos filmes, porém, é preciso pensar no papel das mulheres negras, lésbicas, trans, orientais e mulçumanas. É muito difícil encontrar um equilíbrio de personagens bem elaborados e interessantes quando representados nas telonas. Para que a indústria de longa-metragem buscasse a mudança para alcançar a igualdade, foram criados testes pelos críticos de cinema.


Teste Bechdel
Foi criado em 1985 pelo cartunista Alison Bechdel, objetivando responder três perguntas sobre o filme que escolher:
·         Pelo menos duas personagens femininas aparecem...
·         ...conversam uma com a outra...
·         ...sobre qualquer assunto que não seja homem.




Teste Russo
Para analisar a representação das minorias LGBT, a organização GLAAD criou em 2013 este teste com três critérios:
·         Existe um personagem reconhecido como LGBT no filme.
·         Este personagem tem traços de personalidade comuns a outros, sem ser determinado só por sua opção sexual.
·         Este personagem está envolvido no enredo de forma significativa.



Teste DuVernay / Shukla / Latif
Este tipo de teste surgiu em 2013 pelo escritor NikeshShukla para eliminar estereótipos racistas e condições étnicas para determinar ações dos personagens.
·         Incluir dois personagens de minorias étnicas ...
·         ... que conversem um com o outro por mais de 5 minutos...
·         ... e o assunto não seja raça.


É de extrema relevância citar a condição dos testes, mesmo que eles estejam valendo para mulheres e homens. Levando em consideração todo o cenário de gênero existente, pode-se concluir que é ainda mais difícil encontrar personagens femininos que estejam em condição de igualdade dentro de uma trama hollywoodana.